terça-feira, 26 de maio de 2026
É impressionante o PODER da IGREJA. Verdadeiros herdeiros dos Césares e mais poderosos que os próprios. A Igreja Católica foi o braço direito das metrópoles européias nos processos de colonização. Seu apoio ao escravagismo das pessoas negras foi eloquente e estrutural. Os Pelourinhos, ficavam, geralmente, em frente a uma Igreja, onde os escravizados eram açoitados e torturados sob os olhos complacentes de "Deus". O apartheid era tão insidioso que os escravizados não podiam assistir à missa no interior dos templos, mas do lado de fora. Com receio de perderem poder para as religiões de matriz africana, ergueram Igrejas exclusivas para os escravizados como as de "Nossa Senhora dos Pretos".
Durante as lutas pela abolição não foram poucas as ordens religiosas de padres e de freiras que se posicionaram veementemente contra a libertação dos escravizados. Afinal, tinham os seus próprios cativos, e não são poucos os relatos de abusos a esses infligidos, sexuais, inclusive. Fala-se muito de Nina Rodrigues, Monteiro Lobato e outros como racistas, mas ninguém ousa apontar as atrocidades racistas praticadas pela Igreja Católica. Foi preciso que um Papa o fizesse, afinal, para ir de encontro à Igreja Católica, apenas é autorizado ir, a própria Igreja Católica. Poder absoluto e incontrastável.
A conivência, omissão e o silêncio da Igreja em torno do flagelo do povo negro escravizado durou 500 anos, levando nada menos do que meio milênio para ser quebrado. Ou seja, o pedido de perdão já prescreveu. Só a Revolução Francesa é que ainda não acabou.
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